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Saiba o que está acontecendo na Flona


O Samambaião é um problema em muitas regiões do planeta. As espécies do gênero Pteridium são superdominantes em vários ecossistemas, geralmente associado a distúrbios, como desmate e queimadas. Seu sistema de rizoma altamente eficaz, é tolerante ao frio (inverno) e ao calor (queimadas), além de armazenar e translocar recursos entre as hastes em uma extensa rede. Essa espécie tem emergência rápida e propagação vegetativa mesmo após distúrbios, o que favorece esse comportamento de dominância (Marrs e Watt, 2006). Isso, associado ao crescimento muito rápido da parte aérea, com taxa de até 6 centímetros/dia registrada no Cerrado na estação chuvosa (Xavier 2019), o torna agressivo em ambientes naturais e alterados. Diferente das espécies de Pteridium que ocorrem em regiões temperadas, com crescimento das folhas no verão, no Brasil, de clima tropical, o crescimento se dá o ano todo, o que dificulta os manejos para a erradicação ou controle da espécie. O Samambaião também é resistente ao ataque de insetos e microrganismos; permanência em climas desfavoráveis; capacidade de sequestrar nutrientes a longas distâncias, excluindo assim espécies competidoras; propagação vegetativa por meio dos rizomas e a reprodução por meio de esporos facilmente carregados pelo vento (Alonso-Amelot; Averdaño 2002). Portanto, o estabelecimento e dominância do samambaião no Cerrado leva a mudanças na composição florística e estrutura da vegetação lenhosa, levando ao empobrecimento e simplificação da vegetação, devido a baixa capacidade das espécies nativas crescerem em áreas dominadas por essa espécie. Além disso, a longo prazo, a invasão reduz a diversidade e a quantidade de diásporos de espécies nativas no banco de sementes do solo (Ghorbani et al. 2006; Miatto et al. 2009).

Na Flona, a espécie é encontrada em maciços homogêneos ou mesclados à outras espécies nativas. Dentre as tentativas para combate e erradicação do samambaião estão metodologias que incluem controle manual e mecânico (retirada da parte aérea com corte raso com frequência de 2 a 3 vezes ao ano e para a parte subterrânea gradagem, roçagem, aração), correção do solo (calcáreo), proteção da área onde o samambaião ocorre contra o fogo, já que as queimadas fornecem elementos essenciais para o estabelecimento e propagação da espécie, como matéria orgânica e baixo pH do solo. Outras alternativas incluem o controle químico com uso de herbicidas tais como o glifosato e asulam, o uso de ovinos para pastagem do samambaião, haja vista que eles não são afetados pelas toxinas presentes na planta. O plantio de mudas de crescimento rápido e o controle biológico com uso de fungos e outros organismos que atacam a planta causando sua morte são outras metodologias que podem compor estratégias para controle do Samambaião.

Plano de Ação

 Com a elevada densidade e altura das frondes do Samambaião nas áreas selecionadas para os trabalhos de restauração da vegetação nativa optamos que a primeira etapa será a roçada mecânica com equipamentos à motor, preferencialmente, e apoio com ferramentas manuais. Essa etapa acontecerá em todas as áreas com samambaião e capim gordura.  

Conhecida a capacidade alelopática do samambaião, a palhada gerada após a roçada sobre o solo será eliminada de modo a expor o solo dos locais. Essa etapa, pode ser conduzida com uso de fogo (com o apoio operacional brigada da FLONA) controlado para reduzir a biomassa do samambaião roçado sobre o solo.

Subsolagem com trator e implemento para corte do solo em até 40 cm de profundidade e em distâncias de até 50 cm ao nível do solo para desligamento dos rizomas subterrâneos do samambaião, o que facilitará a retirada (processos de cata) dos rizomas do solo e enleiramento fora da área de plantio.

Arranquio manual e enleiramento dos rizomas e dos brotos que venham a surgir após às intervenções anteriores.

Gradeamento ou nivelamento final antes do plantio.

Plantio de semeadura direta com feijão guandu em matraca manual com adubo químico granulado do tipo supersimples. A proposta é proporcionar sombreamento nos locais em até 6 meses após o plantio.

Plantio de semeadura direta de espécies nativas de cobertura e diversidade do Cerrado. Serão utilizadas espécies de arbustivas de transição cerrado típico, campo limpo e ambientes florestais. O plantio será realizado à lanço, cada grupo de sementes são semeadas com detalhes específicos quanto ao enterrio. O plantio poderá receber mutirões composto por visitantes, entusiasmados, interessados no tema, voluntários de perfis variados. 

 

Download da Autorização Direta para Restauração:

Projeto Agroflorestas Prestadoras de Serviços Ecossistêmicos - Restaura Flona

Financiador: Critical Ecosystem Partnership Fund - CEPF

 Realização: Rede Bartô, Tikré Soluções Ambientais, Floresta Nacional de Brasília, Centro Nacional de Avaliação da Biodiversidade  e de Pesquisa e Conservação do Cerrado- CBC, Instituto Chico Mendes - ICMBio.